sexta-feira, 20 de março de 2009

O finlandês e o chocolate quente

Certa vez conheci um finlandês num vôo. Nós nos demos muito bem, conversamos muito. Ele também é físico, apesar de não trabalhar mais diretamentena área.
Continuamos conversando por e-mail depois que nos conhecemos. Até que em determinado momento o sujeito viajaria à trabalho para a redondeza, então decidiu me visitar, passando um final de semana em Munique.
Quando ele chegou, levei-o para jantar e no outro dia almoçar e, acostumada como estou na Alemanha, dividimos a conta. Daí, mais tarde, o sujeito disse que queria tomar um café. Bom, levei o dito cujo a uma cafeteria super tradicional no centro da cidade com vista pro principal ponto turístico*.
Ele pediu um café e eu pedi um chocolate quente. Na hora que pedimos a conta o comedião tirou da carteira o dinheiro contado do café. Nem sequer ofereceu de me pagar o chocolate quente. Miserável o sujeito! Deus me livre...
Ah, o sujeito estava interessado por mim. Coitado! Não suporto mão de vaquice! Esse aí num me pega nunca!!






*www.cafe-glockenspiel.de

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Alemoada peladona no aeroporto

Tá vendo como essa galera é bizarra?!?!
hahaha...
Pra eles é normal se trocar em parque público no verão!!
Sem noção!!!


Turistas alemães são detidos por tirar a roupa em aeroporto de Salvador

Dois turistas alemães, de 65 e 67 anos, trocaram de roupas no meio do aeroporto internacional de Salvador (BA) na tarde desta segunda-feira (2). Eles foram detidos pela Polícia Militar quando faziam o check-in sob acusação de ato obsceno.

Os dois estavam com suas famílias e embarcariam para São Paulo para pegar uma conexão para voltar à Alemanha. Segundo a Polícia Civil, eles estiveram na Delegacia de Proteção ao Turista para prestar esclarecimentos e foram liberados na noite do mesmo dia. Eles serão indiciados por prática de ato obsceno.

Segundo a delegada Maritta Souza, os turistas disseram no depoimento que tiveram de trocar de roupa, pois, quando voltavam do Morro de São Paulo, na ilha de Tinharé (BA), de catamarã, um se molhou com a água do mar e outro vomitou, devido ao balanço da embarcação.

Em depoimento, um dos alemães afirmou que achou que não constrangeria ninguém ao tirar a roupa em público e que era um gesto corriqueiro, como via no comportamento dos brasileiros nas praias.

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2009/02/03/ult4733u29790.jhtm

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ski e Ken Lee

Quebrando um pouco o padrão do blog, eu preciso compartilhar isso:


Ski:




Ken Lee:

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Bananas: Minha primeira quebra de paradigma.

A gente aprende a vida toda que só se deve comer as frutas quando elas estão maduras. Nuuunca quando estão verdes...
A maioria das frutas é apenas amarga ou azeda quando estão verdes, mas, no caso da banana, há um agravante: o tanino.
Sim, os taninos... polifenóis de origem vegetal. Eles inibem o ataque às plantas por herbívoros vertebrados ou invertebrados. Causa diminuição da palatabilidade, dificuldades na digestão.

Bueno, em linguagem simples, é aquela merda que sua mãe sempre dizia:
"Não vai comer banana verde, que fica 'pegando' na língua!"
Como toda criança pentelha e desobediente, você vai lá e come! Pelo menos uma vez!
E, sua mãe estava certa, aquela merda ficou 'pegando' na língua o dia todo... e num adiantou escovar os dentes e esfregar a língua até a abrasão da mesma. Daí você aprende a NUNCA mais comer banana verde.
Bom, eu aprendi... ou tinha aprendido?!

Daí eu chego na Europa com um conceito embutido na minha mente desde a mais tenra infância de que não se deve comer frutas verdes, muito menos bananas!

Eis que eu estava num congresso na Suíca, os coffee-breaks eram maravilhosos. Os almoços e os jantares magníficos, fartos e com variedade... As mesas de sobremesas eram repletas de doces com cremes e caldas deliciosas e uma mesa de frutas: (mini-)mexericas, figos, uvas e... bananas... VERDES.
É óbvio que eu não comi e pensei: "Ah, puseram essas bananas só pra enfeitar, afinal estão verdes!", mas, pra minha surpresa, após cada refeição, as bananas desapareciam em 5 minutos. Tudo sobrava, menos banana!
"Aff, será que banana é mesmo tããão rara que a galera precisa se tapear pra comê-la?! E verde mesmo ?!"

Até que eu conheci um brasileiro no congresso, daí estavamos almoçando na mesma mesa no quarto dia do evento e ele me aparece com uma banana verde em seu prato de sobremesa!
O meu choque foi grande, afinal ele é brasileiro, aprendeu que banana boa é banana madura!!!
Claro que eu expus meu choque e desesperadamente disse: "Você vai comer essa banana verde?? (e, dando uma de mãe) vai ficar 'pegando' na língua..."
E ele me disse: "Ah, eu vi que todo mundo comia e resolvi testar ontem, e ela tá doce, experimenta."
Eu, com cara de não-convencida: "Tenho medo!"
Ele: "Ih, vai por mim, experimenta um pedaço só, entao."
Daí eu experimentei e meu mundo veio imediatamente abaixo!!!
A BANANA VERDE ESTAVA DOOOOCEEE !!!
O choque foi ainda maior porque eu já comi banana verde, eu tinha a prova de que minha mãe estava certa!!!
E ninguém soube me explicar o motivo... então eu permaneci com a aquela dúvida na cabeça!

Dias depois eu vim pra Alemanha, esqueci a história da banana...
Após alguns dias morando aqui, fui ao supermercado e me deparei com um bacião de bananas no setor de frutas, onde se lia: "Banana Chiquita, direto do Equador".
E TODAS eram verdes! Compro ou não compro? Eis a questão!
Comprei e pensei: "Corto uma ponta e experimendo. Se estiver ruim, eu espero as outras amadurecerem."
E num é que tava boa?
E eu retomei aquele conflito que pairava no meu cérebro enquanto estava na Suíça!

Meses depois eu me abri vom um colega germânico, contei toda a história da mães brasileiras perturbando os seus filhos acerca do mostro da banana que gruda na língua! E ele me esclareceu!
Ele me contou toda a verdade... que segue:

As bananas chiquitas são colhidas verdes lá no Equador e são enfiadas numa câmara de gás que as mantém verdes durante a viagem de navio até a Europa.
Quando vendidas, elas estão (razoavelmente) maduras, mas ainda com a casca verde.

É claro que esta história me confortou...
Agora eu sei porque eu posso comer bananas verdes aqui! Mas, no Brasil, eu não poderei comer bananas verdes... Vamos ver quando eu chegar lá!

Ah, no site da Chiquita, eles dizem apenas que eles tem um refrigerador de alta tecnologia que mantem o processo de amadurecimento mais lento... Num sei se é verdade, acho que eles não contariam sobre o tal gás?! Vai saber...

http://www.chiquita.de/

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Alemoada aprendendo português. Primeira palavra: "xereta"

A alemoada adoooooora saber da vida alheia! É incrível como perguntam!!

Chega a sexta-feira e você ouve umas 5 vezes: "Quais sao seus planos para o fim de semana?".
Segundo a Fernanda, eles querem fazer comparacoes, verificar se você tá viajando mais do que eles.
Acho que ela está certa. Mas talvez nao seja só isso... eles também devem querer comparar o número de amigos de você tem. É incrível com eles se impressionam com o fato do meu telefone celular tocar mais do que o deles. "Nossa, você mudou há tao pouco tempo e já tem tanta gente ligando?!". É, galera, sou sociável! Mal sabem eles que 90% das ligacoes é a Fernanda, mas deixa eles acharem que eu sou popular!!! Hehehe...

Deixa a porta do quarto aberta pra ver a quantidade de pescoços que vao se esticar!!!

Bom, como e quando eu ensinei a palavra "xereta"?

Tudo começou quando Fernanda, dois amigos representantes da alemoada e eu estávamos jantando na minha moradia. Obviamente Fernanda e eu 'gralhamos' português o tempo todo. Imagine só duas brasileiras geminianas, até parece que o assunto acaba. Mas, um dos representantes da alemoada nao se contentava em saber apenas o contexto geral da nossa conversa, ele queria saber detalhes, tipo traducao simultânea. Essa foi a primeira vez... de muitas... Daí, eis que Fernanda me solta: "Mas é xereta, viu"
E o sujeito retruca: "What is 'xereta'?"
E eu disse: "Tá vendo?! É tao xereta que pergunta até o que que é 'xereta'!"
Claro que explicamos, como boas almas que somos. Mas continuamos dizendo que ele é xereta, claro!

Mas nao foi um caso isolado. A alemoada toda é xereta!!!
Certa vez estava Fernanda conversando efusivamente com um moço que mora lá na minha moradia. (É uma moradia de estudantes, um prédio inteiro com quartos individuais e áreas coletivas como sala de estar/almoço, cozinha, sala de tv, etc...).
Como eles estavam na mesa de refeiçoes, que faz parte do ambiente coletivo, muitas pessoas viram. Daí, poucos dias depois, foram perguntar pro cara quem era aquela moça. E diziam: "Ah, eu já vi ela. Ela veio na última festa que teve no bar.".
E o tonto deu corda, explicou tudo direitinho, como se devesse alguma satisfaçao pro resto da alemoada!!!!!

Mais um episódio elucidativo sobre a xeretica germânica aconteceu anteontem. Eu estava chegando em casa lá pelas 22h30 com minha mochilinha de academia nas costas e tinham dois vizinhos (um moço e uma moça) na entrada do prédio fumando (é proibido fumar do lado de dentro).
Eis que a moça me pergunta: "Nossa, de onde você está vindo a essas horas?!".
E eu respondi: "Vc é minha mâe?"
Ela disse: "Ah, mas é que você tá de mochila e já é tarde..."
Eu, docemente, respondi: "É minha mochila da academia, depois eu tava num bar por aí... Boa noite pra vocês."
Eu já senti que ela queria perguntar COM QUEM eu estava no bar.... mas, dada a minha resposta ligeiramente ríspida, ela engoliu a xeretice!

Eles sabem mais da sua vida que vc mesmo, porque, além de perguntarem, comentam entre si!!!
Ê, dona Maricota!

Aliás, um outro brasileiro que trabalha na redondeza de Munique disse que Munique é um grande vilarejo, porque tem a mentalidade futriqueira de vilarejo, mas é grande. Disse que em Berlim ninguém nem te vê!!!
Bom, eu me divirto com a alemoada xereta. Agora eu já tô preparada. Na próxima vez que perguntarem por que estou chegando tarde, vou dizer que eu estava me prostituindo pra complementar a renda! hahaha...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O namorado francês

Eu sei que foge um pouco do contexto germânico por se tratar de um francês... mas num importa!!!

Em Novembro eu conheci uma moca brasileira (de nome X) que também faz doutorado aqui na Alemanha, numa cidade nas redondezas de Munique. Como eu estava aqui fazia pouco tempo, ainda me surpreendia com os hábitos de (falta de) higiene germânica.

Eu estava compartilhando com ela toda a minha surpresa ao ver que, na padaria, eles pegam no pao, pegam no dinheiro, nada de luvinha, nada de diferenciar dinheiro de pao!! Ai... disgusting!
Daí ela disse que logo eu me acostumaria com isso, porque, afinal, nao teria jeito de espacar!
Bom, verdade! Acostumei já! Claro que sempre percebo quando fazem isso, mas já enfiei na minha cabeca que é bom pra adquirir anticorpos! Ou, como diz a Fernanda*, é só "vitamina S... de sujeira"! Ou, ainda, como diz a Quel (que faz doutorado em Madrid, onde as pessoas também nao surpreendem higienicamente), "O clima aqui é muito seco, as bactérias nao proliferam, por isso nao precisa ser tudo taaao limpinho!".

A moca X me contou que certa vez estava de rolo com um cacho francês e que o sujeito nao tinha o hábito de tomar banho! Ela mandava ele pro banho, daí ele dizia "ah, nao tô afim...". Ela tinha que arrastar o cacho para o chuveiro. Ela dizia que iria junto, daí ele aceitava tomar banho (ainda com alguma insistência!).

Ah, deus me livre de arrumar um cacho desses!!!!!!



* Fernanda: personagem a ser devidamente introduzida futuramente, pois está presente em muitos episódios

sábado, 10 de janeiro de 2009

Oktoberfest: O pretexto pra alemoada sair da linha!

Bom, primeiro vou eu definir "a alemoada".
Substantivo feminino, refere-se ao grupo de seres humanos de origem/cultura germânica. Normalmente alemaes, austríacos e suícos. Por se tratar de coletivo, é utilizado exatamente como "japoneses", que, por sua vez, se refere a seres humanos oriundos do Japao, da China, da Coréia, entre outros...

A alemoada é geralmente muito educada, normalmente nao invadem o metro-quadrado do vizinho, nao encostam uns nos outros em hipótese alguma. Mesmo se alguém deixar algo cair no chao, eles nao cutucam o alguém para avisar. Eles chamam, até gritam pra chamar a atencao do alguém sem ter que encontar. Eu acho que isso é um medo, um tabu, sei lá, mas ninguém se encosta.

Obviamente as pessoas se encostam quando sao apresentadas entre si. Mas só a mao, nada dessa coisa latina de dar beijo! (Essa mania latina de dar beijo deixam a alemoada vermelha, roxa, cor-de-burro-quando-foge...)
Quando se tornam mais amigos, mais chegados, as pessoas se abracam, mas apenas em eventos sociais, como uma ida a um bar ou a um jantar, nunca no dia-a-dia.

Este é o padrao. Maaas, eis que surge a Oktoberfest, ansiada pela alemoada toda. Eu pensava que essa ansiedade toda era devido ao evento alcoólico que a Oktoberfest representa, mas eu estava errada... a idéia é ter um pretexto pra sair da linha!

A Oktoberfest é formada por diversas tendas gigantes, cada uma referente a uma marca de cerveja. Dentro de cada tenda há muitas mesas bem próximas, com bancos coletivos (teoricamente para 5 pessoas). O excesso de seres humanos nesse ambiente faz com que as pessoas se encostem e o que surpreende é que elas nao ligam! Muito estranho! Se apertam, se esmagam, sentam 6 ou 7 num banco, mas está tudo bem!!

Neste mesmo ambiente há bandas em um patamar elevado tocando músicas diversas, incluindo hinos à apreciacao do álcool! Quando estes hinos tocam, as pessoas sobem nos bancos e dancam. As pessoas se abracam (inclusive desconhecidos). As pessoas pulam. Mesmo as pessoas que nao bebem muito!!! As pessoas gritam. Muitas pessoas chegam a subir nas mesas. Algumas pessoas chegam até a passar a mao na bunda das mulheres!

No dia seguinte, essa mesma alemoada se encontra no transporte público e tudo volta a ser como antes.
Ninguém se encosta.
Ninguém se abraca.
Ninguém grita, nem fala!
Ninguém se olha.
Ninguém existe...

Uma Geral!!

Este primeiro post é só pra lembrar a mim mesma sobre os tópicos que eu já tenho em mente para postar. Além disso, pra dar uma geral sobre o tipo de assunto a ser tratado por aqui. Muitas dessas histórias já foram relatadas pra algumas pessoas, no entanto, quero tornar isso tudo público.
Sao eles:

- Oktoberfest: O pretexto pra alemoada sair da linha!
- Bananas: Minha primeira quebra de paradigma.
- Contradicoes higiênicas!
- Comportamento da alemoada: in coletivo Vs. in private
- A (in)capacidade germânica de flertar
- Alemoada aprendendo português. Primeira palavra: "xereta"
- A disciplina germânica
- Frequentando a sauna... pelados?!
- Férias de verao de 2011
- O namorado francês
- O finlandês e o chocolate quente

e muitos outros 'causos' que ainda estao por acontecer...